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Golfo Pérsico

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Golfo Pérsico
Golfo da Arábia

(em persa: خلیج فارس)
(em árabe: الخليج العربي)
Golfo Pérsico
Imagem de satélite do Golfo Pérsico
Localização
Coordenadas 26° 54' 17" N 51° 31' 51" E
Localização Sudoeste Asiático
Características
Tipo Golfo
Área * 251 000 km2 (97 000 sq mi) km²
Comprimento máximo 989 km (615 mi) km
Profundidade média 50 m (160 ft) m
Profundidade máxima 90 m (300 ft) m
Bacia hidrográfica Irã, Iraque, Cuaite, Arábia Saudita, Catar, Barém, Emirados Árabes Unidos e Omã (Exclave omanita)
* Os valores do perímetro, área e volume podem ser imprecisos devido às estimativas envolvidas, podendo não estar normalizadas.
Mapa político do Golfo Pérsico

O Golfo Pérsico é um golfo localizado no Médio Oriente, como um braço do mar da Arábia, entre a o Irã e península da Arábia.[1] Trata-se de um mar interior com cerca de 233 000 km², ligado ao Mar da Arábia a leste pelo Estreito de Ormuz e pelo golfo de Omã, e com seu limite a oeste marcado pelo delta do Xatalárabe, chamado Arvand-Rood pelos iranianos, que carrega as águas dos rios Eufrates e Tigre.

Os países com litoral banhado pelo Golfo Pérsico são, em ordem horária: Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar (que ocupa uma península avançada sobre o golfo), Barém (uma ilha no golfo), Cuaite, Iraque, e Irã. Todos estes países, com exceção dos dois últimos (Iraque e Irã), formam uma união econômica denominada Conselho de Cooperação do Golfo.

O Golfo Pérsico e suas áreas costeiras são a mais rica e mais usada fonte de petróleo do mundo; as indústrias derivadas da sua extração e refino dominam a região. Existem diversas ilhas no golfo, algumas das quais são contestadas por estados vizinhos.

Nomenclatura

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O nome "Golfo Pérsico" foi emprestado de numerosas línguas antigas (inclusive o grego), sendo utilizado amplamente desde a Antiguidade, em razão de ali ter existido a nação-estado da Pérsia (onde hoje é o Irã).[2]

Em meados da década de 1960, com o surgimento do nacionalismo árabe, os países da região passaram a chamar o golfo de "Golfo da Arábia". O Irã, então, enviou duas petições para as Nações Unidas (em 1971 e 1984) exigindo o reconhecimento oficial da região como "Golfo Pérsico".

A maioria dos países denomina a região "Golfo Pérsico", mas alguns países árabes usam o termo "Golfo da Arábia" ou simplesmente "o Golfo", havendo ainda uma proposta para denominá-lo "Golfo entre o Irã e a Península Arábica". O Irã tem feito uma campanha para garantir que o golfo localizado entre o país e a Península Árabe seja conhecido como Golfo Pérsico, e não como Golfo Árabe.[3]

Em outubro de 2018, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, como agência das Nações Unidas, registra em certificado oficial o Golfo Pérsico, baseado no Acordo de Lisboa para a Proteção de Denominações de Origem e seu Registro Internacional. O reconhecimento desse nome no Certificado de Registro do Pérola do Golfo Pérsico indicava o reconhecimento do nome da massa de água como tal. De acordo com este acordo baseado no direito internacional, nenhum país, governo ou organização pode usar outro nome para se referir ao Golfo Pérsico.[4]

Geografia

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A Organização Hidrográfica Internacional define o limite sul do Golfo Pérsico como "O limite noroeste do Golfo de Omã". Este limite é definido como "Uma linha que une Ràs Limah (25°57'N) na costa da Arábia e Ràs al Kuh (25°48'N) na costa do Irã (Pérsia)".[5]

Este mar interior de cerca de 251 000 km2 (97 000 sq mi) está ligado ao Golfo de Omã, a leste, pelo Estreito de Ormuz. A sua extremidade ocidental é marcada pelo grande delta do Shatt al-Arab, que transporta as águas dos rios Eufrates e Tigre. No Irã, este rio é chamado de "Arvand Rud" (lit. "Rio Rápido").

O seu comprimento é de 989 km (615 mi), com o Irã a cobrir a maior parte da costa norte e a Arábia Saudita a maior parte da costa sul. O Golfo Pérsico tem cerca de 56 km (35 mi) de largura no seu ponto mais estreito, no Estreito de Ormuz. As águas são muito rasas, com uma profundidade máxima de 90 m (300 ft) e uma profundidade média de 50 m (160 ft).

Os países com linha de costa no Golfo Pérsico são (no sentido dos ponteiros do relógio, a partir do norte): Irã; o exclave de Musandam, pertencente a Omã; os Emirados Árabes Unidos; a Arábia Saudita; o Catar, numa península ao largo da costa saudita; o Barém, uma nação insular; o Kuweit; e o Iraque, no noroeste. Várias pequenas ilhas também se situam no Golfo Pérsico, algumas das quais são objeto de disputas territoriais entre os Estados da região.

Zona económica exclusiva

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Zonas económicas exclusivas no Golfo Pérsico:[6][7]

Número País Área (km2)
1Irã Irão97 860
2 Emirados Árabes Unidos52 455
3 Arábia Saudita33 792
4 Catar31 819
5 Kuwait11 786
6 Barém8 826
7Omã Omã3 678
8 Iraque540
Total Golfo Pérsico240 756

Linhas de costa

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Países por comprimento da linha de costa:

Número País Comprimento (km)
1Irã Irão1 536
2 Arábia Saudita1 300
3 Emirados Árabes Unidos900
4 Catar563
5 Kuwait499
6 Barém161
7Omã Omã100
8 Iraque58
Total Golfo Pérsico5 117
Durrat Al Bahrain vista da EEI, 2011.

O Golfo Pérsico abriga muitas ilhas, como o Barém, um Estado árabe. Geograficamente, a maior ilha do Golfo Pérsico é a Ilha de Qeshm, pertencente ao Irã e localizada no Estreito de Ormuz. Outras ilhas significativas no Golfo Pérsico incluem a Tunb Maior, a Tunb Menor e a Ilha de Kish, administradas pelo Irã; Bubiyan, administrada pelo Kuweit; Tarout, administrada pela Arábia Saudita; e Dalma, administrada pelos EAU. Nos últimos anos, verificou-se também a adição de ilhas artificiais para atrações turísticas, como a The World no Dubai e a The Pearl em Doha. As ilhas do Golfo Pérsico são frequentemente de grande importância histórica, tendo sido utilizadas no passado por potências coloniais, como o Império Português e o Império Britânico, no seu comércio ou como aquisições para os seus impérios.[8]

Oceanografia

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O Golfo Pérsico está ligado ao Oceano Índico através do Estreito de Ormuz. Ao calcular o balanço hídrico do Golfo Pérsico, as entradas correspondem às descargas dos rios do Irã e do Iraque (estimadas em 2 000 metro cúbicos (71 000 cu ft) por segundo), bem como à precipitação sobre o mar, que é de cerca de 180 mm (7,1 in)/ano na Ilha de Qeshm. A taxa de evaporação é elevada, de modo que, mesmo após considerar as contribuições dos rios e da chuva, continua a existir um défice de 416 metro kilocúbicos (100 cu mi) por ano.[9]

Esta diferença é suprida por correntes no Estreito de Ormuz. A água do Golfo Pérsico tem uma salinidade mais elevada e, portanto, sai pelo fundo do Estreito, enquanto a água do oceano, com menor salinidade, entra pela superfície. Outro estudo revelou os seguintes números para as trocas hídricas no Golfo Pérsico: evaporação = -1,84 m (6,0 ft)/ano, precipitação = 0,08 m (0,26 ft)/ano, entrada pelo Estreito = 33,66 m (110,4 ft)/ano, saída pelo Estreito = -32,11 m (105,3 ft)/ano, sendo o balanço de 0 m (0 ft)/ano.[10] Dados de diferentes modelos de mecânica dos fluidos computacional em 3D, tipicamente com resolução espacial de 3 quilômetros (1,9 mi) e profundidade de cada elemento igual a 1–10 metros (3,3–32,8 ft), são predominantemente utilizados em modelos de computador.

Nomes históricos

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Mapa do Golfo Pérsico. O Golfo de Omã conduz ao Mar Arábico. Detalhe de um mapa maior do Oriente Médio.

Antes da adoção do nome atual, o Golfo Pérsico foi conhecido por outros nomes. Os assírios chamavam-no de "Mar Amargo".[11] Em 550 a.C., o Império Aquemênida estabeleceu o primeiro antigo império em Pérsida (Pars, ou a moderna província de Fars, também conhecida como Pérsia), no sudoeste do Planalto Iraniano.[12] Consequentemente, nas fontes gregas, o corpo de água que banhava esta província passou a ser conhecido como "Golfo Pérsico".[13] No livro de Nearco conhecido como Indikê (300 a.C.), a palavra "Persikon kolpos" é mencionada múltiplas vezes para se referir ao Golfo Pérsico.[14]

Em 550–330 a.C., coincidindo com a soberania do Império Persa Aquemênida sobre a região, o nome "Mar Pérsico (Pars)" aparece frequentemente em textos escritos.

Uma inscrição e gravura de Dário, o Grande, datada do século V a.C., declara:[15] O rei Dário diz:

Ordenei que se escavasse este canal (Canal dos Faraós) a partir do rio chamado Nilo (Pirâva), que flui no Egito (Mudrâyâ), até ao mar que começa na Pérsia (Pârsa). Portanto, quando este canal foi escavado como eu havia ordenado, navios foram do Egito através deste canal para a Pérsia, como eu tinha pretendido.

No Império Sassânida persa (224–651 d.C.), o Golfo Pérsico era chamado de Pūdīg, termo derivado do em avéstico: Pūitika, nome mencionado no Bundahishn.[16]

Disputa moderna sobre o nome

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Um mapa histórico do Golfo Pérsico num museu no Dubai com a palavra Pérsico censurada.

O corpo de água é histórica e internacionalmente conhecido como Golfo Pérsico.[17][18][19] Está listado na terceira edição da publicação Limits of Oceans and Seas como "Golfo do Irã (Golfo Pérsico)" e, na proposta da quarta edição, como "Golfo Pérsico".[5][20] Os governos dos países da Liga Árabe referem-se a ele como Golfo Arábico ou O Golfo.[21][22] O nome Golfo do Irã é utilizado pela Organização Hidrográfica Internacional.[5]

A disputa sobre a denominação tornou-se especialmente prevalente desde a década de 1960.[23] A rivalidade entre o Irã e certos Estados árabes, aliada ao surgimento do pan-arabismo e do Nacionalismo árabe, fez com que o nome "Golfo Arábico" se tornasse proeminente na maioria dos países árabes.[24][25] Embora historicamente menos comum, o termo "Golfo Arábico" começou a ser utilizado por alguns Estados árabes durante as décadas de 1950 e 1960, num período em que o nacionalismo árabe estava no seu auge.[26] Apesar da controvérsia, a Britannica nota que, fora dos Estados árabes, o nome “Golfo Arábico” não obteve um reconhecimento amplo.[27]

História

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História antiga

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A região do Golfo Pérsico é habitada desde o Paleolítico.[28] Durante a maior parte do Último período glacial (115 000–11 700 anos Antes do Presente), devido à descida do nível do mar (que atingiu cerca de 125 metros (410 ft) abaixo dos valores atuais durante o Último máximo glacial), combinada com a reduzida profundidade do Golfo (em média cerca de 35 metros (115 ft) e no máximo cerca de 100 metros (330 ft)), a maior parte do Golfo Pérsico esteve exposta como terra firme,[29] formando uma planície de inundação onde vários rios convergiam.

Esta região pode ter servido como um refúgio ambiental para os primeiros seres humanos durante oscilações climáticas hiperáridas periódicas. O Golfo marinho moderno formou-se quando o nível do mar subiu durante o início do Holoceno, há cerca de 12 000 a 6 000 anos. A inundação do Golfo pode ter estimulado o desenvolvimento de culturas agrícolas do Neolítico em regiões do Oriente Médio adjacentes ao Golfo.[28]

Um mapa retratando o Império Persa Aquemênida em relação ao Golfo Pérsico.
Uma pintura retratando a Força Expedicionária Britânica ao largo da costa de Ras Al Khaimah em 1809.

A civilização mais antiga conhecida do mundo (Suméria) desenvolveu-se ao longo do Golfo Pérsico e no sul da Mesopotâmia.[28] As evidências mais antigas do mundo de embarcações marítimas foram encontradas em H3, no Kuweit, datando de meados do sexto milénio a.C., quando o Golfo fazia parte de uma vasta rede comercial que envolvia os assentamentos do Período de Ubaid na Mesopotâmia e comunidades ao longo de toda a costa do Golfo.[30]

Durante a maior parte da história inicial dos povoamentos no Golfo Pérsico, as margens sul foram governadas por uma série de tribos nómadas. No final do quarto milénio a.C., a parte sul do Golfo Pérsico era dominada pela civilização de Dilmun. Durante muito tempo, o assentamento mais importante na costa sul do Golfo Pérsico foi Gerra. No século II, a tribo Lakhum, que vivia no atual Iémen, migrou para norte e fundou o Reino Láqumida ao longo da costa sul. Batalhas antigas ocasionais ocorreram ao longo do litoral do Golfo Pérsico entre o Império Persa Sassânida e o Reino Láqumida, sendo a mais proeminente a invasão liderada por Sapor II contra os láqumidas, resultando na derrota destes e no avanço persa para a Arábia, ao longo do litoral sul.[31] Durante o século VII, o Império Persa Sassânida conquistou a totalidade do Golfo Pérsico, incluindo as margens sul e norte.

Entre 625 a.C. e 226 d.C., o lado norte foi dominado por uma sucessão de impérios persas, incluindo o Império Medo, o Império Aquemênida, o Império Seleúcida e o Império Parta. Sob a liderança do rei aquemênida Dário, o Grande, os navios persas encontraram o seu caminho para o Golfo Pérsico.[32] Os persas não estavam apenas estacionados em ilhas do Golfo Pérsico, mas também possuíam navios, frequentemente com capacidade para 100 a 200 pessoas, a patrulhar vários rios do império, incluindo o Shatt al-Arab, o Tigre e o Nilo a oeste, bem como a via marítima do Indo, na Índia.[32]

O alto comando naval aquemênida havia estabelecido grandes bases navais localizadas ao longo do rio Shatt al-Arab, no Barém, Omã e Iémen. A frota persa em breve seria utilizada não apenas para fins de manutenção da paz ao longo do Shatt al-Arab, mas também abriria as portas ao comércio com a Índia através do Golfo Pérsico.[32][33]

Após a queda do Império Aquemênida e, posteriormente, do Império Parta, o Império Sassânida governou a metade norte e, por vezes, a metade sul do Golfo Pérsico. O Golfo Pérsico, a par da Rota da Seda, constituía uma importante rota comercial no Império Sassânida. Muitos dos portos comerciais dos impérios persas situavam-se no Golfo Pérsico ou ao seu redor. Siraf, um antigo porto sassânida localizado na margem norte do Golfo Pérsico, na atual província iraniana de Bushehr, é um exemplo desses portos comerciais. Siraf destacou-se também por ter mantido um próspero comércio com a China por volta do século IV, tendo estabelecido ligação com o Extremo Oriente em 185 d.C.[34]

Era colonial

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A influência do Império Português no Golfo Pérsico durou 250 anos.[35] Desde o início do século XVI, a dominação portuguesa disputou o controlo da região com os poderes locais e o Império Otomano. Após a chegada dos ingleses e holandeses, o Império Safávida aliou-se aos recém-chegados para contestar o domínio português dos mares no século XVII.[36]

O Forte Português na Ilha de Ormuz, desenhado por Gaspar Correia. "Lendas da Índia", c.1556.

A expansão portuguesa para o Oceano Índico no início do século XVI, na sequência das viagens de exploração de Vasco da Gama, viu Afonso de Albuquerque capturar o estrategicamente localizado Reino de Ormuz. Os portugueses combateram os otomanos no Golfo Pérsico. Em 1521, uma força portuguesa liderada pelo comandante António Correia invadiu o Barém para assumir o controlo da riqueza gerada pela sua indústria de pérolas. A 29 de abril de 1602, xá Abbas, o Grande, o imperador persa do Império Persa Safávida, expulsou os portugueses do Barém,[37] data que é comemorada como o Dia Nacional do Golfo Pérsico no Irã.[38] Com o apoio da frota britânica, em 1622 'Abbās tomou a ilha de Ormuz aos portugueses; grande parte do comércio foi desviada para a cidade de Bandar Abbas, que ele havia tomado aos portugueses em 1615 e baptizado com o seu próprio nome. O Golfo Pérsico foi, portanto, aberto a um comércio próspero com mercadores portugueses, holandeses, franceses e britânicos, aos quais foram concedidos privilégios particulares.

O Império Otomano reafirmou a sua presença na Arábia Oriental em 1871. Sob pressão militar e política do governador do Vilaiete Otomano de Bagdá, Midhat Pasha, a tribo governante Al Thani submeteu-se pacificamente ao domínio otomano.[39] Os otomanos foram forçados a retirar-se da área com o início da Primeira Guerra Mundial e a necessidade de tropas em várias outras frentes.[40]

Na Segunda Guerra Mundial e após a Invasão anglo-soviética do Irã, os Aliados utilizaram o Irã como uma via para transportar suprimentos militares e industriais para a URSS, através de um caminho conhecido historicamente como o "Corredor Persa". O Reino Unido utilizou o Golfo Pérsico como ponto de entrada para a cadeia de abastecimento, a fim de fazer uso da Ferrovia Transiraniana.[41] O Golfo Pérsico tornou-se, assim, uma rota marítima crítica através da qual os Aliados transportaram equipamento para a União Soviética contra a invasão nazi.[42]

A Pirataria no Golfo Pérsico foi prevalente até ao século XIX. Muitos dos casos históricos mais notáveis de pirataria foram perpetrados pela tribo Al Qasimi. Isto levou os britânicos a montar a Campanha do Golfo Pérsico de 1819.[43] A campanha conduziu à assinatura do Tratado Geral Marítimo de 1820 entre os britânicos e os xeques do que era então conhecido como a "Costa dos Piratas". De 1763 até 1971, o Império Britânico manteve vários graus de controlo político sobre alguns dos Estados do Golfo Pérsico, incluindo os Emirados Árabes Unidos (originalmente chamados de Estados da Trégua)[44] e, em vários momentos, o Barém, o Kuweit, Omã e o Catar, através da Residência Britânica do Golfo Pérsico.

História moderna

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Operação Earnest Will: Comboio de petroleiros n.º 12 sob escolta da Marinha dos Estados Unidos em outubro de 1987.

O Golfo Pérsico foi um campo de batalha durante a Guerra Irã-Iraque (1980–1988), na qual cada um dos lados atacava os petroleiros do outro. É o homónimo da Guerra do Golfo de 1991, o conflito maioritariamente aéreo e terrestre que se seguiu à invasão do Kuweit pelo Iraque. O papel dos Estados Unidos no Golfo Pérsico cresceu na segunda metade do século XX.[45] A 3 de julho de 1988, o Voo Iran Air 655 foi abatido pelos militares dos EUA (que haviam confundido o Airbus A300 que operava o voo com um F-14 Tomcat iraniano) enquanto voava sobre o Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo.[46] O Reino Unido mantém uma presença na região; só em 2006, mais de 1 milhão de cidadãos britânicos visitaram o Dubai.[47][48] Em 2018, o Reino Unido abriu uma base militar permanente, a HMS Jufair, no Golfo Pérsico, a primeira desde a sua retirada do Leste do Suez em 1971, e desenvolveu uma instalação de apoio em Omã.[49][50][51]

Cidades e população

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Oito nações possuem costas ao longo do Golfo Pérsico: Barém, Irã, Iraque, Kuweit, Omã, Catar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. A localização estratégica do Golfo Pérsico tornou-o um local ideal para o desenvolvimento humano ao longo do tempo. Hoje, muitas das principais cidades do Oriente Médio situam-se nesta região.

Fauna e flora

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A vida selvagem do Golfo Pérsico é diversificada e única devido à distribuição geográfica da região e ao seu isolamento das águas internacionais, quebrada apenas pelo estreito Estreito de Ormuz. O Golfo Pérsico tem abrigado algumas das mais magníficas faunas e floras marinhas, algumas das quais estão próximas da extinção local ou sob sério risco ambiental. Dos corais aos dugongos, o Golfo Pérsico é um berço diversificado para muitas espécies que dependem umas das outras para sobreviver. No entanto, o Golfo Pérsico não é tão biologicamente diverso quanto o Mar Vermelho.[52]

No geral, a vida selvagem do Golfo Pérsico está ameaçada tanto por fatores globais como pela negligência regional e local. A maior parte da poluição provém de navios; a poluição gerada em terra conta como a segunda fonte mais comum de poluição.[53]

Mamíferos aquáticos

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Ao longo das regiões do Mar Arábico, incluindo o Golfo Pérsico, o Mar Vermelho, o Golfo de Kutch, o Golfo do Suez, o Golfo de Aqaba, o Golfo de Áden e o Golfo de Omã, os golfinhos e os marsopas-sem-barbatana são os mamíferos marinhos mais comuns, enquanto as baleias de maior porte e as orcas são mais raras atualmente.[54] Historicamente, as baleias tinham sido abundantes no Golfo Pérsico antes da caça comercial as ter dizimado.[55][56] A população de baleias foi reduzida ainda mais pelas caças em massa ilegais promovidas pela União Soviética e pelo Japão nas décadas de 1960 e 1970.[57]

Junto com as baleias-de-bryde, estes mamíferos outrora comuns podem ser vistos em mares marginais mais profundos, como o Golfo de Áden, a costa de Israel e no Estreito de Ormuz. Outras espécies, como a criticamente em perigo baleia-jubarte-arábica (historicamente comum também no Golfo de Áden e cada vez mais avistada no Mar Vermelho desde 2006, incluindo o Golfo de Aqaba), a baleia-de-omura, a baleia-minke e a orca também nadam no Golfo Pérsico.

Muitas outras espécies de grande porte, como a baleia-azul, a baleia-sei e o cachalote, foram outrora migrantes para o Golfo de Omã e em águas costeiras mais profundas, e ainda migram para o Mar Vermelho, mas são vistas principalmente nas águas mais profundas dos mares exteriores. Em 2017, descobriu-se que o Golfo Pérsico, ao largo de Abu Dhabi, possuía a maior população mundial de golfinhos-jombos-do-indo-pacífico.

Os golfinhos que vivem nas águas do norte do Golfo Pérsico, ao largo do Irã, também estão em risco. Pesquisas mostram que os golfinhos correm o risco de ficar presos em redes de pesca de cerco e de serem expostos à poluição por petróleo, esgotos e efluentes industriais.[58][59]

O Dugongo (Dugong dugon) pode ser encontrado no Golfo Pérsico. A sua dieta baseada em ervas marinhas foi impactada pelo desenvolvimento ao longo do litoral do Golfo Pérsico, particularmente pela construção de ilhas artificiais pelos Estados árabes e pela poluição decorrente de derrames de petróleo durante a Guerra do Golfo Pérsico e outras causas naturais e artificiais. A caça não controlada também teve um impacto negativo na sobrevivência dos dugongos.[60] As águas ao largo do Catar, Barém, EAU e Arábia Saudita constituem o segundo habitat mais importante para os dugongos (atrás da Austrália), com cerca de 7 500 indivíduos. O número de dugongos está a diminuir, e não se sabe quantos existem ou qual a sua tendência reprodutiva.[60]

Aves no Golfo Pérsico perto da Ilha de Ormuz.

O Golfo Pérsico abriga muitas aves migratórias e locais. Preocupações em relação ao perigo de extinção da subespécie kalbaensis do guarda-rios-de-colar foram levantadas por conservacionistas devido ao desenvolvimento imobiliário nos Emirados Árabes Unidos e em Omã.[61] Estimativas de 2006 mostravam que apenas três locais de nidificação viáveis estavam disponíveis para esta ave, um a 80 milhas (129 km) do Dubai e dois locais menores em Omã.[61]

Um plano das Nações Unidas para proteger os mangais como reserva biológica foi ignorado pelo emirado de Sharjah, que permitiu a dragagem de um canal que bissecta a zona húmida e a construção de um passadiço de betão adjacente.[61] Existem poucos organismos de vigilância ambiental na Arábia, e aqueles que defendem a vida selvagem são frequentemente silenciados ou ignorados pelos promotores imobiliários, muitos dos quais têm ligações governamentais.[61]

O desenvolvimento imobiliário no Golfo Pérsico pelos Emirados Árabes Unidos e Omã levantou preocupações de que os habitats de espécies como o flamingos-comuns e a felosa-rasada possam ser destruídos.[61]

Um estudo de 2009 sobre dez ilhas iranianas no Golfo Pérsico registou mais de 100 000 casais reprodutores de aves aquáticas de 11 espécies, incluindo a andorinha-do-mar-de-dorso-escuro, a andorinha-do-mar-de-bico-amarelo e o tartaranho-do-caranguejo. Estas ilhas fornecem um habitat de nidificação crítico, e as flutuações nas populações de aves marinhas têm sido propostas como indicadores biológicos da saúde ecológica regional.[62]

Peixes e recifes

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Um peixe-anjo-de-barra-amarela (Pomacanthus maculosus) no mar de Dubai-Jumeirah, EAU.

O Golfo Pérsico abriga mais de 700 espécies de peixes, a maioria das quais é nativa.[63] Destas, mais de 80% estão associadas a recifes.[63] Estes recifes são maioritariamente rochosos, mas, em comparação com o Mar Vermelho, os recifes de coral no Golfo Pérsico são relativamente poucos e distantes entre si.[64][65][66] Isto está primariamente ligado à afluência de grandes rios, especialmente o Shatt al-Arab (Eufrates e Tigre), que transportam grandes quantidades de sedimentos (a maioria dos corais construtores de recifes necessita de luz forte) e causam variações relativamente grandes de temperatura e salinidade.[64][65][66] No entanto, foram encontrados recifes de coral ao longo de trechos da costa de todos os países do Golfo Pérsico.[66] Os corais são ecossistemas vitais que suportam uma multidão de espécies marinhas e cuja saúde reflete diretamente a saúde do Golfo Pérsico. Os últimos anos viram um declínio drástico na população de corais no Golfo Pérsico, parcialmente devido ao aquecimento global, mas principalmente ao despejo de resíduos por Estados árabes como os EAU e o Barém. Lixo de construção, como pneus, cimento e subprodutos químicos, encontrou o seu caminho para o Golfo Pérsico nos últimos anos. Além dos danos diretos aos corais, os resíduos de construção criam "armadilhas" para a vida marinha nas quais os animais ficam presos e morrem. O resultado tem sido uma população decrescente de corais e, consequentemente, uma diminuição no número de espécies que dependem dos corais para a sua sobrevivência.

Os mangais no Golfo Pérsico necessitam do fluxo das marés e de uma combinação de água doce e salgada para crescer, atuando como viveiros para muitos caranguejos, peixes pequenos e insetos, que são a fonte de alimento para muitas aves marinhas.[61] Os mangais são um grupo diversificado de arbustos e árvores pertencentes aos géneros Avicennia ou Rhizophora que prosperam nas águas rasas e salgadas do Golfo Pérsico, e são os habitats mais importantes para pequenos crustáceos que nelas habitam. A capacidade dos mangais de sobreviverem à água salgada através de complexos mecanismos moleculares, o seu ciclo reprodutivo único e a sua capacidade de crescerem nas águas mais desprovidas de oxigénio permitiram-lhes um crescimento extenso em áreas hostis do Golfo Pérsico.[67] No entanto, com o advento do desenvolvimento de ilhas artificiais, grande parte do seu habitat está a ser destruída ou ocupada por estruturas humanas. Isto teve um impacto negativo nos crustáceos que dependem do mangal e, por sua vez, nas espécies que se alimentam deles.

Exportações

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Petróleo e gás

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Gasodutos, oleodutos e campos de petróleo e gás.

O Golfo Pérsico e as suas áreas costeiras são a maior fonte individual de petróleo do mundo,[68] e as indústrias relacionadas dominam a região. O golfo desempenha um papel central no sistema energético global. Em 2026, aproximadamente um quinto das exportações globais de GNL originou-se no Golfo. A região é também um fornecedor chave de combustíveis refinados, como gás de petróleo liquefeito (GPL), diesel e combustível para aviação.[69]

O Campo de Safaniya, o maior campo de petróleo offshore do mundo, localiza-se no Golfo Pérsico. Grandes descobertas de gás foram também feitas, com o Catar e o Irã a partilharem um campo gigante através da linha média territorial (Campo Norte no sector catarense; Campo South Pars no sector iraniano). Utilizando este gás, o Catar construiu uma substancial indústria de gás natural liquefeito (GNL) e petroquímica.

Em 2002, as nações do Golfo Pérsico (Barém, Irã, Iraque, Kuweit, Catar, Arábia Saudita e EAU) produziam cerca de 25% do petróleo mundial, detinham quase dois terços das reservas mundiais de petróleo bruto e cerca de 35% das reservas mundiais de gás natural.[70][71] Os países ricos em petróleo (excluindo o Iraque) que possuem litoral no Golfo Pérsico são referidos como os Estados do Golfo Pérsico. A saída do Iraque para o Golfo Pérsico é estreita e facilmente bloqueável, consistindo no delta pantanoso do Shatt al-Arab, que transporta as águas dos rios Eufrates e Tigre, onde a margem leste é detida pelo Irã.

Fertilizantes

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O Golfo Pérsico é também um centro global importante para a produção e exportação de fertilizantes. Países como a República Islâmica do Irã, Catar, Arábia Saudita e Omã estão entre os principais exportadores mundiais de fertilizantes azotados, incluindo ureia e amónia. Na década de 2020, a região representava cerca de 30–35 por cento das exportações globais de ureia e cerca de 20–30 por cento das exportações de amónia. No total, até 30% dos fertilizantes comercializados internacionalmente transitam normalmente pelo Estreito de Ormuz.[69]

Ver também

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Nações:

Referências

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Leitura adicional

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  • Fromherz, Allen James. The Center of the World: A Global History of the Persian Gulf from the Stone Age to the Present (University of California Press, 2024).
  • Fromherz, Allen James, ed. The Gulf in World History: Arabia at the Global Crossroads (Edinburgh University Press, 2018).
  • Potter, Lawrence G., ed. The Persian Gulf in History (Palgrave Macmillan, 2009).
Golfo Pérsico
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